DIZIMO E OFERTAS

O Dízimo no Velho Testamento

1.          Antes da Lei (Gn 14.18-20; 28.22 Hb 7.4-10)

Neste tempo não havia casa do tesouro, portanto, o dízimo não era para sustento de ninguém. Melquizedeque, rei de Salém, não precisava ser mantido, ainda assim Abraão lhe pagou o dízimo (exigência de Deus?). Jacó, seu neto, o imitou dizendo: “…de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo”. Isto soa com uma conotação de reconhecimento da soberania e autoridade de Deus. Uma manifestação de dependência e fé: “… para que aprendas a temer o Senhor teu Deus todos os dias.” (Dt 14.23).

2.          Regulamentado na Lei (Lv 27.30-34; Nm 18.20-24)

Os dízimos eram santos ao Senhor e foi Ele quem determinou o seu uso, dando-os aos levitas. Ele era a herança das levitas e não deixou isso como poesia: concretizou essa herança, materializando-a nos dízimos (Nm 18.20 x24).

3.          O Uso Discriminado (Dt 14.22-29)
  1. Não obter lucro com os dízimos. Quando não era possível entregá-los, que se gastasse até com bebida forte, mas que não se utilizasse o que era de Deus para lucrar.
  2. Cerca de terça parte dos dízimos (uma vez a cada três anos) era utilizado para socorrer o órfão, a viúva, o estrangeiro e o levita local.
4.          Como Deus Tratava os Infiéis (Ml 1.6-2.9 x 3.6-12)

Neste texto, primeiramente Deus repreende e amaldiçoa os sacerdotes infiéis. Ainda assim exige que o povo traga todos os dízimos e ofertas à casa do tesouro, acusando de ladrões e amaldiçoando os que não o fazem. Os dízimos eram do Senhor e foi Ele quem os deu aos levitas. Deus nunca permitiu que o povo administrasse os dízimos, julgando se deviam ou não entregá-los, mesmo quando os sacerdotes eram infiéis. Isto era um problema de Deus. Ele tratava com o sacerdote infiel no seu ofício (Nm 18.23) e também com a nação infiel na entrega.

No Novo Testamento

1.          Jesus Cristo
  1. Nunca foi acusado  de não entregar o dízimo
  2. Nunca ensinou contra
  3. Nunca ensinou a favor

A passagem de Mt. 23.23 tem sido utilizado para respaldar o dízimo no N.T. Este texto não constitui um ensino sobre o assunto e sim uma repreensão aos fariseus por serem extremamente exigentes e legalistas na entrega dos dízimos e tão negligentes no cumprimento dos princípios mais importantes da Lei: justiça, fé e misericórdia.

2.          Os Apóstolos

Os apóstolos nunca ensinaram sobre os dízimos, mas ensinaram sobre a manutenção daqueles que vivem exclusivamente para a igreja e sobre o socorro aos necessitados. Como a assistência aos necessitados é um assunto sobre o qual não há dúvidas ou questionamentos, nos deteremos apenas no que diz respeito ao sustento dos que vivem em tempo integral para o serviço da igreja.

Referência

Texto

Comentário

1Co 9.1-15

 

Texto básico.

Vs. 1-2, 10, 11, 13

“…vocês são o selo do meu apostolado…”

“…os que trabalham no templo alimentam-se das coisas do templo…”

“Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais?”

Princípio espiritual inquestionável: troca de benefícios.

Vs. 3-10

“Não temos nós o direito de comer e beber?” “… quem planta uma vinha e não come do seu fruto?”

Princípio natural: quem planta colhe.

Vs. 12 e 15

“Se outros têm o direito de serem sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais?”

Direito.

Vs. 14

“Da mesma forma o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho que vivam do evangelho.”

Uma ordem do Senhor Jesus.

Gl 6.6

Rm 15.27

“O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com quem o instrui.”

Honra, gratidão,  reconhecimento e dever.

1Ts 2.7

2 Ts 3.9

“Embora pudéssemos como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção…” (SBB).

Exigência e di­reito.

1Tm 5.17-18;

Mt 10.10;

Lc 10.7

“… o trabalhador merece o seu salário.”

Salário, pagamento.

Estes textos não apenas deixam claro a prática apostólica como também os princípios que a regiam. Alguns desavisados têm argumentado que Paulo não se utilizava deste expediente, ao contrário, trabalhava “com as próprias mãos”. Averigüemos a verdade bíblica:

  1. Paulo não exigiu sua manutenção das igrejas de Corinto e Tessalônica por razões bem claras:

à      Corinto – Paulo queria estabelecer uma distinção muito clara entre ele, verdadeiro apóstolo (1Co 3.6-10; 4.14-16; 9.1-2; 2Co 3.1-3; 11.1-3), pregando o evangelho gratuitamente (2Co 11.7) e alguns ditos apóstolos que eram mantidos pelos coríntios e a quem Paulo chama de “obreiros fraudulentos” (2Co 11.10-15). Esta intenção fica clara em 2Co 11.12 “… cortar ocasião…”, ainda que para isso tivesse de passar privações (2Co 11.7-9).

à      Tessalônica – que fossem laboriosos, trabalhadores e não ficassem ociosos e se intrometendo na vida alheia, sendo pesados a outros (2Ts 3.6-12). Paulo era o único que poderia ficar sem trabalhar e exigir o seu sustento e, contudo, não o fez.

  1. Vale destacar que durante o tempo em que esteve nestas duas cidades Paulo foi sustentado por outras igrejas:

à      Corinto – 2Co 11.7-9.

à      Tessalônica – Fp 4.15-16.

à      As igrejas de Corinto e Tassalônica estavam sendo beneficiadas pelo ministério de Paulo. Contudo, para vergonha deles e por causa de deficiências na vida destas igrejas, ele era mantido por outras cidades.

  1. Algumas vezes Paulo teve que providenciar seu próprio sustento porque estava envolvido em trabalhos pioneiros, na formação de novas igrejas – estava lavrando com esperança (1Co 9.10). Isto aconteceu, por exemplo, no início da igreja em Éfeso (At 20.33-35). Em Jerusalém não havia este problema: a vinha já dava fruto e o rebanho já produzia leite e lã (1Co 9.4-11).
  2. Paulo não vivia de “fazer tendas”. Isto era algo esporádico, quando a situação exigia.
  3. Em 1Co 9.4-6, fica claro que todos os apóstolos e até alguns que não eram apóstolos, como os irmãos do Senhor, eram mantidos pela igreja
  4. Paulo não tinha esposa e filhos, respondia apenas por si, podendo aceitar as dificuldades que surgissem, sozinho.
  5. Em Fp 4.17-19, Paulo expõe um princípio bíblico de que Deus abençoa ao que é generoso (aqui ele não está falando de auxilio aos pobres, mas do sustento aos que servem bens espirituais). E coloca isso em termos comerciais – uma troca: quem o supriu seria abençoado por Deus – e como uma verdadeira oferta a Deus e não aos homens (observações na NVI e da Bíblia Vida Nova). Seria Paulo um mercenário ou um que busca seus próprios interesses? Leia: 2Co 1.12; 4.2-5; 6.4-10; 12.14-18; 1Ts 2.1-6; 1Tm 6.3-10.
Outras Considerações

Tanto bíblica como historicamente não há qualquer referência a um percentual ou valor preestabelecido que fosse exigido das igrejas. O que transparece é um princípio de honra, reconhecimento e troca de benefícios, onde cada um dá conforme proponha no seu coração. Não é um improviso na hora de dar, como se fosse uma esmola, mas um valor pré-determinado, pensado e meditado diante de Deus, em oração. Para evitar o improviso e o descontrole, este valor deve ser estipulado em termos percentuais sobre a renda de cada um.

Quem entende que é beneficiado dará com liberalidade. Quem está aqui “passando o tempo” e acha que aqueles que vivem integralmente para o serviço da igreja, nada mais fazem que o seu dever, serão medíocres na sua contribuição.

Sendo Jesus nosso único ponto de referência e a palavra apostólica a nossa única fonte de informação, não há porque ainda utilizarmos os dízimos. Contudo, resta uma pergunta: se o dízimo era algo tão importante e até sagrado no V.T., desde antes da lei, porque Jesus e os apóstolos não ensinaram nada a respeito?

No N.T. Deus já não precisa estabelecer um percentual para a contribuição de seu povo porque estamos debaixo de um outro princípio espiritual. Considere o quadro abaixo:

Velha Aliança

Nova Aliança

Deus precisou fazer uma marca na carne do homem para mostrar a sua aliança com ele (Gn 17.10).

Deus nos marca no coração, em nosso espírito (Rm 8.8-9; Ef 2.11-15; Fp 3.3; Cl 2.11).

Deus deu a Lei escrita em tábuas de pedra. (Ex 31.18).

Deus grava a sua Lei em nossos corações (Hb 10.16).

 

Deus estabelece um percentual da renda de todo homem para Lhe ser devolvido, a fim de lembrar ao homem que tudo quanto ele tem procede d’Ele (Gn 28.22; Dt 14.23).

Deus nos deixa livres porque já não precisa de nenhum artifício exterior para nos lembrar que somos seus filhos. Ele nos deu do seu próprio Espírito Santo e, nessa posição, não apenas nossos bens são d’Ele mas nós mesmos Lhe pertencemos, porque não apenas nos comprou como também nos deu vida. Nos gerou pelo Espírito Santo (Rm 8.12-17; Tg 1.18; 1Pe 1.23)

Aqui fala de uma nação terrena com promessas e esperanças terrenas (At 1.6).

Aqui de uma nação espiritual, celestial, com promessas e esperanças eternas. Fala a herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Fp 3.20-21; 1Jo 3.1-2)

Quão superior é a Nova Aliança do que a Velha Aliança!

Por isso, prestando atenção ao Sermão do Monte, veremos como Jesus estabelece uma comparação entre o mandamento de Moisés (a Lei) e o seu próprio mandamento (a Graça e a Verdade) “Pois a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (Jo 1.17). Fica notória a superioridade da exigência de Jesus. As exigências da Nova Aliança são tão superiores às da Velha Aliança quanto são superiores os benefícios e as promessas (Gl 3.19; Hb 7.18-19; 8.13; 11.39-40; 1Pe 1.10-12).

Justiça da Lei

 

Jesus Cristo

Proibia-se o homicídio

Mt 5.21-23

Proíbe-se a ira

Proibia-se o adultério

Mt 5.27-28

Proíbe-se o olhar impuro

Exigia o amor ao próximo e permitia-se o ódio ao inimigo.

Mt 5.43-44

Exige-se o amor ao inimigo e a oração pelos que perseguem

Exigia-se o dízimo (Ml 3.8).

 

Exige-se a vida e tudo quanto se tem (Lc 14.25-33).

Conclusão

Deste modo, Deus já não nos exige um percentual – Ele nos exige a nós mesmo com tudo que somos e temos. Ele não nos dá uma Lei, nos dá uma vida. O que nos move já não é um mandamento, mas a vida e o sentimento de Cristo que é produzido em nós pelo Espírito Santo.

Ora, se daqueles que viviam debaixo da lei se exigia 10 por cento, quanto se deve esperar daqueles que receberam a abundância de vida? (Jo 10.10; Rm 5.17; Hb 3.14; 2Pe 1.3-4).

Se na Velha Aliança Deus acusava de ladrão aquele que não entregava os dízimos e as ofertas (e estas não tinham percentual), como Ele tratará os que se omitem na Nova Aliança?

Na história da igreja muitas vezes o dízimo tem sido questionado por fazer parte da Velha Aliança. E, por isso, algumas denominações e grupos cancelaram a prática do dízimo. Mas CUIDADO: muitos abandonaram a Velha Aliança, não para entrar na Nova, mas para justificar o roubo ao que é de Deus. Deixaram de dar o dízimo mas não passaram a dar conforme a igreja no N.T.

É estranho que alguém seja contrário ao dízimo, afirmando que isto seja da Velha Aliança e queira dar menos que 10%, quando os irmãos no N.T. (Nova Aliança) davam muito mais. Se alguém quer se basear na bíblia para não dar o dízimo, porque não dar muito mais que o dízimo como está na bíblia?

Por tudo isso cremos que a igreja deve, em muito, ultrapassar os dízimos em suas contribuições

“Porque vos digo que se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus – religiosos – jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20).

Resumo

O Dízimo É Para Hoje?

1º.    Na Velha Aliança (Nm 18.20-24, Ml 3.6-12)

  1. a) Os levitas não tinham herança.
  2. b) Deus lhes deu os Seus dízimos.
  3. c) Quem não entregava o dízimo e as ofertas Deus chamava de ladrão.

2º.    Na Nova Aliança (1Co 9.1-15; Gl 6.6)

  1. a) Nem Jesus nem os apóstolos ensinaram sobre os dízimos.
  2. b) Mas, o N.T. fala claramente do sustento de necessitados e de obreiros de tempo integral.
  3. c) A Igreja dava em grande abundância, muito mais que na lei.

3º.    Conclusão

  1. a) Não existe referência a valor estipulado, não há mais percentual.
  2. b) A Nova Aliança é em tudo superior a Velha Aliança.
  3. c) Se daquele que vivia sob a lei se exigia 10 %, o que se espera daquele que é participante de Cristo?

4º.    Então Qual é a Prática?

  1. a) Identifique-se com a igreja do início, com o mover de Deus na Nova Aliança, enchendo-se de generosidade e dando conforme o Espírito Santo coloca no seu coração. Busque revelação e desenvolva sua convicção no Senhor.
  2. b) Com seriedade e em oração, estabeleça um percentual do seu ganho para as suas contribuições regulares. Isto deve ser feito tanto para a bolsa de provisões como para as ofertas.
  3. c) Aconselhe-se com seu discipulador e/ou líder.

 

  1. d) Esteja em acordo com seu cônjuge.

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